sábado, 1 de agosto de 2009

Sobre Amor e Amar

Amor e Amar (Madeleine Sani)
Muitas pessoas perguntam e muitos livros, artigos discorrem sobre o que é o Amor.
Não seria também muito interessante falar sobre o que é Amar? Palavra, comportamento, sentimento?
Mario Quintana, em Certezas, diz que “... Não quer que ninguém morra de amor...” por ele, ao contrário, quer que vivam por ele!
E esse ser amado, vivendo por ele prossiga amando-o, qualquer que seja a intensidade! Isso até parece ser o que menos importaria para o amante! Lindo!
Belo como o é, o sentimento Amar, percebido por esse poeta filósofo, mergulhado até a cabeça em expressas palavras vividas.
Entretanto idealizar faz parte da poesia!
Certezas:
“Não quero alguém que morra de amor por mim…Só preciso de alguém que viva por mim,que queira estar junto de mim, me abraçando.Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto,gostem de mim…Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…E que esse momento será inesquecível..Só quero que meu sentimento seja valorizado.Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,que faço falta quando não estou por perto.Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bonssentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmenteimporta, que é meu sentimento… e não brinque com ele.E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nuncacresça, para que eu seja sempre eu mesmo.Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero terforças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poderdizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,sem ter de me preocupar com terceiros…Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…Que o amor existe, que vale a pena se doar as amizades às pessoas,que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…e que valeu a pena. (Será ?)
Mas e se fosse assim? O que seria?
Quero amar alguém!Só preciso de alguém para dar o meu Amor!Quero estar junto, abraçando o meu bem. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, Quero apenas que me deixe expressar o meu modo de amar.Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto,gostem de mim…Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é demonstrar o meu modo de amar.Vou valorizar o meu bem!.Quero sempre que for possível poder ter um sorriso estampando em meu rosto, para o meu bem, mas se não tiver que esse alguém me ensine.E quero viver a paz que o sorriso do meu amor me oferta! Quero poder olhar para essa pessoa tão amada e me esforçar por demonstrar o meu amore poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também fica feliz e seguro quando ofereço o meu carinho,Quero que esse alguém saiba que ele faz falta quando não está por perto.Queria ter a certeza de que apesar das renúncias e loucuras,eu vou me esforçar por entendê-lo,valorizando-o pelo que meu bem é e não …pelo que ele tem ou faz! E quero que essa pessoa saiba que somos seres imperfeitos, mas, que devemos tentar Viver e Amar! Quero muito que ela saiba que o que verdadeiramente importa é o amor que doamos uns aos outros. Dessa forma, nos valorizaremos pelos momentos vividos com sinceridade e alegria!E que esse alguém possa compreender as mudanças que ocorrem na vida, mas sobretudo perceba que adoro como ela é, pois espero que possamos mudar e amadurecer juntos, para que cresçamos junto com a relação. Quero nas nossas possíveis brigas, se um dia isso acontecer, termos a chance de aprendermos, apoiando-nos um no outro, uma forma de superação. Porque se construirmos um relacionamento a cada dia, nos aceitando e respeitando nossas mudanças e diferenças, quero poder contar com a força do nosso amor para superarmos juntos o que for preciso. Quero que o meu amor confie que mesmo se hoje eu ou ele fracassar, porque afinal somos falíveis, amanhã será um dia de vontade de acertar, porque poderemos contar com o outro. Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas… Que juntos, tenhamos a esperança; Que juntos tenhamos a liberdade, a sinceridade, e que eu possa dizer o quanto o meu bem é especial e importante para mim. E que esse alguém tenha certeza que eu pretendo não feri-lo, mas se ocorrer quero que ele me mostre como poderei melhorar. Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… Que o amor existe e que vale a pena se doar às amizades, às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… E que sempre vale a pena!

quinta-feira, 26 de março de 2009

EI ! VOCÊ SABIA DISSO ?

“Cérebro nunca esquece a droga”, afirma psiquiatra:Artigo retirado de: Brasileiros Humanitários em Açãowww.braha.org. (visitem!)

Especializado no tratamento de dependentes químicos, o psiquiatra argentino Eduardo Kalina, 63 anos, faz um alerta: o cérebro nunca esquece a sensação provocada pela droga. Para um dependente químico, a cura exige a abdicação total das drogas, inclusive álcool e cigarro por toda a vida.“Quem usa drogas quer ser super-homem”, diz. Kalina já tratou de pacientes famosos como a atriz Vera Fischer e o ex-jogador de futebol Diego Maradona. Ele atua na área há 32 anos. Nos últimos tempos, tem-se dedicado a estudar a depressão, sobre a qual prepara um livro.Seguem trechos de entrevista à Folha:Folha: Por que a depressão virou a cabeça do homem moderno?Eduardo Kalina: Os motivos são muitos. Temos uma crise de vida no mundo atual, que criou desenvolvimento e, em lugar de criar felicidade para as pessoas, criou infelicidade. Tudo isso favoreceu depressões. A forma de viver é cada vez menos humana. O uso de tóxicos, álcool, tabaco, café cocaína, estimulantes, tudo isso favorece a depressão. Um fator que provocou o aumento da depressão é o fato de que vivemos cada vês menos humanamente. Cada vez viramos mais máquinas, porque temos muito ou porque temos pouco. O homem virou cada vez mais máquina, e as máquinas precisam de combustíveis especiais.Folha: Fale um pouco do tratamento que o senhor utiliza.Kalina: São tratamentos integrais, com exames de diagnóstico complexo, para estudar o que acontece no cérebro sem produzir danos às pessoas e para saber como está o seu equilíbrio neuroquímico. Fazemos um diagnóstico psicológico e psicossocial. Pacientes com desequilíbrios importantes precisam de medicamentos para compensar esses desequilíbrios, que não se corrigem sozinhos.Folha: O que o senhor chama de lado psicossocial?Kalina: O uso de drogas vai contra a natureza humana. A pessoa procura a droga para ser outro, Popeye, super-homem. Além de corrigir o fator biológico, é preciso fazer psicoterapias, trabalhar com a família. Muitos pacientes precisam reaprender a de desenvolver no meio social. Daí a importância do hospital-dia, com estruturas comunitárias.Folha: O senhor teve pacientes famosos como Vera Fischer e Maradona. Eles se curaram?Kalina: Não quero falar deles. Quem usou drogas tem que aprender a viver sem drogas, entre os quais o álcool e o tabaco. Pessoas famosas chegam a acreditar que são super-homens ou super-mulheres e não aceitam os limites: não podem tomar nunca mais álcool. Por isso, muitos voltam à droga. Pessoas comuns que têm recaídas são muitas. Quando um famoso tem recaída, todo mundo fala.Folha: Há cura para a dependência química?Kalina: A cura significa deixar de tomar drogas de todo tipo, álcool e tabaco, inclusive, e aceitar que o corpo nunca vai esquecer o que aprendeu. Se foi, alcoólatra ou toxicômano, o cérebro não esquece. Por isso, a cervejinha é fatal, porque abre a memória biológica. A pessoa lembra e acorda tudo o que tratamos de limpar. Há cura se você aceita os seus limites.Folha: O que o senhor acha da descriminação da maconha?Kalina: Sou contra. As pessoas que defendem isso não se preocupam com saúde pública. Há estudos sobre o poder carcinogenético (causador de câncer) da maconha, que é quatro vezes superior ao tabaco.Folha: Quem fuma só maconha é dependente?Kalina: É dependente. Quando a pessoa diz “fumo só maconha”, quase nunca é verdade. Ela fuma cigarros, toma álcool e, com o tempo, não basta. É a porta de entrada para as outras drogas. Assim como se dizia antes que a consciência é solúvel em álcool, hoje, diz que a consciência é solúvel em maconha.Folha: O senhor escreveu sobre jovens. O que diria aos pais, principalmente aos que usaram drogas?Kalina: O papel da família é não seguir a linha “faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. Se os pais consomem tabaco, álcool e remédios, não podem pedir que os filhos não procurem soluções químicas. O pai deve dizer ao filho que usou, mas que não há motivo para o filho fazer também.Folha: O senhor não admite o álcool nem em ocasiões sociais?Kalina: É preciso saber a diferença. De cada 100 pessoas que bebem, 10 viram alcoólatras. Dos que fumam mais de seis semanas, 60% viram fumantes que não podem parar. A cerveja e o vinho, tomados com moderação, têm efeitos negativos mínimos e certos componentes úteis para a vida. O vinho tem aminoácidos, a cerveja tem vitamina B. O uísque, a cachaça, nada disso tem valor para o organismo.Autora: Maria de Lourdes Garcia RuizATENÇÃO: todos os textos publicados no site BRAHA.ORG têm como objetivo servir de fonte de informações técnicas e científicas para consulta e pesquisa de todos aqueles que desejam saber sobre os temas tratados.“Cérebro nunca esquece a droga”, afirma psiquiatra:Artigo retirado de: Brasileiros Humanitários em Açãowww.braha.org. (visitem!)

PROCURA-SE UM AMANTE

PROCURA-SE UM AMANTE
Dr. Jorge Bucay
(tradução do original "Hay que buscarse un Amante")

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Geralmente são essas últimas as que vêm ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de Insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Elas já esperam o diagnóstico de depressão e a inevitável receita do antidepressivo do momento... Mas, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que na verdade precisam é de um AMANTE!
"Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?" - pensam chocadas, escandalizadas. Mas eu explico que AMANTE é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso AMANTE em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...
Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando".
E o que é "ir levando"?
"Ir levando" é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
"Ir levando" é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um AMANTE, seja também um AMANTE e um protagonista da SUA VIDA...
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
"PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA.”

quinta-feira, 5 de março de 2009

eis um texto de A. Pimentel, que vale uma reflexão sem dúvida:

HEDONISMOHedonismo (Dicionário Houaiss): "Doutrina filosófica que encara o prazer e a felicidade como bem supremos. Dedicação ao prazer como estilo de vida.” Eu li em um dos livros do Ruy Castro que, ainda mais legal do que unir o útil ao agradável, é unir o agradável ao agradável. A exaltação do desfrute. Há tempos venho ruminando sobre isso. Conheço muitas pessoas que vão ao cinema, a boates e restaurantes e parecem eternamente insatisfeitas. Até que li uma matéria com a escritora Chantal Thomas na revista República e ela elucidou minhas indagações internas com a seguinte frase:
"Na sociedade moderna há muito lazer e pouco prazer".
Lazer e prazer são palavras que rimam e se assemelham no significado, mas não se substituem.
É muito mais fácil conquistar o lazer do que o prazer.
Lazer é assistir a um show, cuidar de um jardim, ouvir um disco, namorar, bater papo. Lazer é tudo o que não é dever. É uma desopilação. Automaticamente, associamos isso com o prazer: se não estamos trabalhando, estamos nos divertindo.
Simplista demais. Em primeiro lugar, podemos ter muito prazer trabalhando, é só redefinir o que é prazer.

O prazer não está em dedicar um tempo programado para o ócio. O prazer é residente.

Está dentro de nós, na maneira como a gente se relaciona com o mundo.

Chantal Thomas aborda a idéia de que o turismo, hoje, tem sido mais uma imposição cultural do que um prazer. As pessoas aglomeram-se em filas de museus e fazem reservas com meses de antecedência para ir comer no lugar da moda, pouco desfrutando disso tudo. Como ela diz, temos solicitações culturais em demasia.

É quase uma obrigação você consumir o que está em evidência. E se é uma obrigação, ainda que ligeiramente inconsciente, não é um prazer.
Complemento dizendo que as pessoas estão fazendo turismo inclusive pelos sentimentos, passando rápido demais pelas experiências amorosas, entre elas o casamento. Queremos provar um pouquinho de tudo, queremos ser felizes mediante uma novidade.

O ritmo é determinado pelas tendências de comportamento, que exigem uma apreensão veloz do universo.

Calma. O prazer é mais baiano.

O prazer não está em ler uma revista, mas na sensação de estar aprendendo algo. Não está em ver o filme que ganhou o Oscar, mas na emoção que ele pode lhe trazer. Não está em faturar uma garota, mas no encontro das almas. Está em tudo o que fazemos sem estar atendendo a pedidos.

Está no silêncio, no espírito, está menos na mão única e mais na contramão. O prazer está em sentir. Uma obviedade que merece ser resgatada antes que a gente comece a unir o útil com o útil, deixando o agradável pra lá. (José A. Pimentel)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O CORPO FALA ?

José Ângelo Gaiarsa

São Paulo, SP, Brasil

Resumo - Se o corpo não falasse a palavra não teria sentido. Seria como a fala de um robô, absolutamente sem expressão.
Fala do hemisfério esquerdo! A interpretação do que fosse dito seria tão incerta quanto a interpretação de um texto. Seria
pior: no escrito há sinais que indicam inflexões que um robô não reproduziria. Exclamações, vírgulas, interrogações,
reticências e mais não são reproduzidas pelo robô. É falso que as palavras têm sempre o mesmo sentido – ou poucos
sentidos (os do dicionário). Mais falso ainda que elas serão sempre entendidas do mesmo modo por várias pessoas – de
qualquer idade ou classe social, em várias circunstâncias, em várias épocas. Cada ser enfático,pois os preconceitos em
contrário são muito fortes: a semântica inteira (o significado das palavras!) depende do não verbal, da expressão do rosto, do
tom da voz, dos gestos, da atitude, do tema em discussão, das circunstâncias e dos interlocutores.


Se eu não tivesse aprendido a ver com Wilhelm Reich o seguinte ensaio não poderia ter sido escrito. Até então o psicanalista limitava-se a ouvir relatos do paciente deitado no divã e fora do campo visual do terapeuta. Este limitava-se a ouvi-lo e a tentar correlacionar o que ouvia com o momento e com sua historia a interpretar os relatos. Reich foi o primeiro que, frente ao silêncio do paciente, começou a observá-lo e então fez a descoberta do evidente: cada paciente fica em silêncio a seu modo, em certa atitude, com certas expressões no rosto...Levado pelo seu condicionamento como intérprete, começou a perceber que cada modo de estar em silêncio podia significar tanto quanto uma declaração verbal momento fundamental de mudança de paradigma!
Não sei de comentaristas ou críticos que se deram conta do significado dessa mudança no foco da atenção.

1 Artigo da conferência a ser apresentada durante o III Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana e IX Simpósio Paulista de Educação Física, na cidade de Rio Claro, Estado de São Paulo, Brasil, durante os dias 30 de abril a 3 de maio de 2003.

do terapeuta: A diferença essencial entre Freud e Reich pode ser resumida assim: Freud apenas ouvia e Reich começou a olhar para o paciente. Ou também: Freud limitava-se a ouvir e interpretar a comunicação verbal, ao passo que Reich passou a ver e a interpretar a comunicação não-verbal.
Mas a diferença é muito maior ainda de tudo o que se possa imaginar e, é só disso que cuida todo este ensaio.

Minha experiência:

Muito do que se segue contraria preconceitos profundamente enraizados na cultura, em qualquer cultura e na própria ciência. Afirmo, generalizando achados e análises de Reich, que o inconsciente está “por fora”, é visível e que é impossível disfarçar, que ninguém esconde nada de ninguém.
As pessoas têm bem pouca familiaridade com seu aspeto exterior, com suas faces, gestos e atitudes corporais. Estranham demais sua aparência ao se verem gravadas em vídeo. Isto é, elas não sabem o que exprimem ou manifestam corporal e facialmente e, até mesmo, pouco percebem ou sabem de sua Couraça Muscular do
Caráter,
noção central para Reich.
A Couraça é todo o esforço (muscular) que a pessoa faz aqui-e-agora afim de não mostrar, de disfarçar o que pretende, o que deseja ou o que sente. Mas que Paradoxo!
Só consegue disfarçar eficazmente para si mesma porque não se vê. Porque não vê o que está mostrando!

Experiências pessoais:

A maior parte das afirmações contidas no texto estão fundamentadas em duas categorias de
experiências pessoais. Em grupos de estudo fazíamos “Leitura corporal com auxilio de vídeo”.
Gravávamos em vídeo um dos companheiros enquanto eu fazia algumas perguntas sobre sua família, seu passado, profissão, inclinações durante 8 a 10 minutos. Depois filmava sua marcha e sua postura de frente, nos dois perfis e de costas. Em seguida, gravava as duas metades do rosto, direita e esquerda e, enfim, a metade de cima (olhos/fronte) e a de baixo (queixo e lábios). Projetávamos depois o teipe, várias vezes, em velocidade normal, em câmara lenta, em câmara
acelerada, quadro a quadro, comentando, ouvindo pareceres do grupo, fazendo perguntas ao sujeito. Em casos felizes conseguíamos nessa única hora reconstituir quase todos os personagens (identificações) e episódios significativos da vida do companheiro!
A repetição de gestos, faces e atitudes (a Couraça) tornava-se patente. Esta técnica não existia ao tempo deReich e, de outra parte, ela é perfeita para mostrar“objetivamente,” tudo o que ele descrevia em seus casos clínicos.
Com a vantagem fundamental de poder repetir a “realidade” de um momento, quantas vezes quisermos, inclusive em câmara lenta, para evidenciar o que vimos ou o que pretendemos mostrar. Fico espantado pelo fato deste recurso tão “objetivo!” ser tão pouco usado em escolas de Psicologia e na formação de terapeutas.
Além desta experiência havida durante mais de quatro centenas de horas ao todo, conto com muitos milhares de horas de observação clínica atenta face-a face com os clientes. Tenho meio século de consultório de Psicoterapia, com 6 a 8 horas de atendimento por
dia. De 1955 a 1970 (aproximadamente) li Reich extensa, atenta e muitas vezes ansiosamente. Precisava de suas luzes no cotidiano! Dadas as suas noções de Couraça Muscular e de transferência negativa latente, apurei acentuadamente minha capacidade de observar
faces e gestos, assim como de ouvir tons de voz (e não apenas as palavras).
Preciso repetir: o que se segue contraria
frontalmente quase tudo o que aprendemos desde muito cedo e que nos é repetido constantemente. Ouvimos que é possível esconder ou disfarçar emoções e intenções, mascarar o “íntimo.” Ouvimos também que não podemos acreditar em nossas “intuições” e impressões
quando em diálogo com o outro.
A Ciência, por sua vez, na impossibilidade de fazer estatísticas e estabelecer padrões nesta área, tambémconfirma estas dúvidas.

Introdução ao tema central

Falar falar palavras o corpo obviamente não
fala.

Ele é um “infante,” termo que significa
precisamente “que não fala”. A mesma raiz etimológica
deu origem, também, aos termos infância e infantaria o
grupo daqueles que arriscam a vida na batalha mas não
têm o direito de falar. Note-se a semelhança desses
termos.
Falar o corpo não fala, mas é claro que ele se
exprime. Ele sinaliza intenções, mostra emoções,
assume atitudes, faz mil gestos e mil caras. Não faria
nada disso se faze-las não tivesse alguma função.
Estou me referindo é claro à linguagem corporal, a
mais primitiva forma de comunicação entre os animais.
Portanto, se for verdade que “quanto mais antigo mais
profundo,” a linguagem corporal é então o mais
profundo dos meios de comunicação, tanto entre
animais como entre seres humanos. Na certa, é o
fundamento e o complemento da comunicação verbal.
Vantagem evidente da linguagem corporal sobre a
linguagem verbal: além de ser evidente (isto é, visível)
ela é, por isso mesmo, muito veloz, tanto na sinalização
como no mudar os sinais. Rostos humanos podem
mudar de expressão em fração de segundo. Na verdade,
em um décimo de segundo como já foi medido.
Insistindo: nenhuma palavra poderia ser dita em um
décimo de segundo, muito menos uma frase.
As peculiaridades expressivas do tom da voz
O tom da voz faz parte da comunicação não-verbal
sendo, ao mesmo tempo, o próprio corpo das
palavras que são exatamente isso: sons articulados. A
palavra exige que o som seja articulado (é sua
essência), mas a palavra não obriga o som a ser grave
ou agudo, intenso ou suave, vibrante ou surdo, curto ou
longo. Posso cantarolar sem palavras (só som) como
posso dizer as mesmas palavras com músicas vocais
bem diferentes. Ou sem música nenhuma como os
robôs!
E o principal: a palavra é a própria mensageira de
inteligência enquanto o tom da voz é o mensageiro da
emoção - do “coração” diriam muitos.
O peito - Templo da divindade
A voz nasce no peito reunindo em si o espírito (a
palavra) e a alma (a emoção e o sentimento).
Reunindo o pulmão, órgão de nossa relação com o
invisível vital, o ar; e o coração, o motor e relógio da
vida.

... Quem vê cara não vê coração
Se o corpo exprime tanto, tão clara e tão
rapidamente, porque se tornou popular a noção: “quem
vê cara não vê coração?” Porque, muito mais e muito
pior, as ciências sociais e a Psicologia ignoram (ou
negam) tão sistematicamente a linguagem corporal?
Pouco e nada li até hoje sobre a influência do olhar nos
relacionamentos humanos, e em dezenas de escolas de
Psicologia espalhadas por todo o Brasil, onde fiz
palestras, nunca ouvi da existência de uma aula sobre a
importância do olhar na comunicação entre as pessoas.
É o olhar que capta a maior parte da comunicação
não verbal do interlocutor, constituída de faces, gestos e
posições corporais. Portanto, negar o olhar é negar o
que ele vê, as manifestações corporais que
acompanham as palavras. Negar o olhar é mutilar
irreparavelmente a comunicação o relacionamento entre
as pessoas.
Este fato, bem ponderado, é deveras espantoso, e
terei de dar muitas voltas por muitas áreas a fim de
tornar claro esse paradoxo: porque o mais evidente
(evidente=visível) nos relacionamentos humanos é tão
sistematicamente omitido, ignorado ou ostensivamente
negado? No campo jurídico, caras, gestos e tons de voz
não são aceitos como prova de nada. “Cara de
assassino” ou “cara de ódio” nada significam...
A cegueira frente à evidência
A palavra “evidência” é tão central e figura tantas
vezes nos textos científicos, que a maior parte das
pessoas não se dá conta de que “evidência” significa
“visível”. “Evidente” significa “que pode ser visto”!!!
Nem se dão conta do implícito: se pode ser visto então
existe, é real, é indiscutível...Se não pode ser visto (se
não for evidente) então não existe...
Estranho paradoxo: negamos o olhar e depois
atribuímos a ele principalmente a ele a capacidade de
“decidir” se um fato ou objeto é real ou não!
Vamos começar a desvendar o mistério:
“É crime criticar sua majestade”
Esta frase é um decreto do ano 221 a.C, promulgado
pelo Primeiro Imperador da China, Chi Huang-Ti.
Ele foi o primeiro tirano da China. Tão fácil, depois
desse decreto modelar e de todo explícito, compreender
porque suas Majestades são todas tão perfeitas.
O que cabe a todos nós, simples mortais, é o temor
reverencial e todo o cuidado em jamais dizer o que
estamos vendo na Autoridade. A primeira Autoridade
foi Chi Huang-Ti, e depois o Faraó, o Rei, Bush, Hitler,
Stalin, o Papa, o Capitalista, o Banqueiro, o Industrial,
o Patrão, o Professor Universitário, o Padre, o Juiz, a
Mãe, o Pai...Do personagem social podemos dizer o que
quisermos, mas frente ao indivíduo concreto no qual o
personagem está encarnado jamais. Ninguém ousaria
dizer a João de Deus que ele já está velho demais...
Frente aos poderosos e até frente ao amigo ou à
namorada dizer o que estamos vendo é muito perigoso.
Será que o corpo não fala, ou será que a ninguém
é permitido falar sobre o que o corpo está
“dizendo?”

A versão infantil do imperador

“O Rei está nu”, é frase que se ouve aqui e ali mas
cuja origem é mal conhecida pela maioria.
Certo Reizinho era por demais vaidoso e, ao ouvir
de dois espertalhões que seriam capazes de produzir um
tecido e fazer um traje mágico de indizível beleza,
empenhou 90% do Tesouro Nacional no pagamento da
raridade. O poder mágico do tecido consistia nisso: só
pessoas de extremado bom-gosto conseguiriam vê-lo.
Teares vazios, afã de costurar o inexistente, medidas
inúteis e, ao final da historia o Rei desfilou nu na rua e
todos se maravilhavam frente a tanta beleza. Até que
uma criança disse o que todos estavam vendo- “O Rei
está nu!”. A Historia não diz o que aconteceu depois –
nem com a criança...É crime criticar sua Majestade!

Autoridade da coletividade

Mas não bastava a perfeição de sua Majestade (mais
a ameaça de tortura) para silenciar a...oposição, para
impedir que qualquer um descrevesse para Sua Alteza
suas caras e suas atitudes! O bigodinho de Hitler, por
exemplo! Ou seus gestos de polichinelo espasmódico
ao discursar.
Era preciso que ao medo de todos fosse somada a
fala de todos. Em forma modelar, Howard Bloom
(2000) resumiu o assunto em uma frase: ”A realidade
de cada lugar e de cada época é uma alucinação
coletiva”. Todos são obrigados a ver as mesmas coisas
a dizer que estão vendo as mesmas coisas. E se alguém
disser estar vendo algo que ninguém mais diz estar
vendo, ou é um louco ou um herege...Galileu, por ex.

Harmonia cósmica

Se todos estão vendo as mesmas coisas ou dizendo
que estão vendo e se todos dizem que essas coisas
sempre foram assim, então existimos em um
maravilhoso mundo Newtoniano onde tudo se repete,
ou onde tudo é sempre igual e portanto tudo é
previsível. Ficam excluídas desse modo quaisquer
novidades, surpresas ou inesperados. Segurança
Máxima todos prisioneiros do passado e condenados a
repeti-lo pelos séculos dos séculos. Transferência
Eterna...
A versão erudita diz: a sociedade é essencialmente
conservadora. Mamãe ensina o que é certo e o que é
errado. A Igreja ensina o que é virtude e o que é
pecado. A Lei diz o que é crime e o que é permitido. O
Capitalismo diz que se dá lucro está certo e assim por
diante. As Majestades, pois, são várias: A Coletividade,
a Família, a Escola (o Professor e o Programa), nossas
Sagradas Tradições Sociais e Religiosas, o Patrão, o
Trabalho (a sobrevivência) e, por fim, todas as falas dos
papéis/danças/coletivas toda a Liturgia Social. E mais:
todos vigiam a todos para que todos façam “como se
deve”, “como é adequado”!

Força e segurança

A Liturgia da Uniformidade Social existe para
alimentar ao mesmo tempo a ilusão de segurança e a
ilusão da força. Se todos fazem assim e se “sempre se
fez assim” então deve ser verdade e ai de quem não
concordar.
De outra parte, se todos fazemos igual a mesma
dança e a mesma cantoria então cada um sente em si a
força de todos. Somos poderosos e nada poderá nos
vencer! Estaremos seguros (segurança) e seguros
(presos)!
Mas os indivíduos são...evidentemente
(visivelmente!) diferentes uns dos outros, nas
expressões de rosto, nos gestos que fazem, nos olhares,
nos tons de voz. Peçamos a 5 pessoas que digam a
mesma frase e obteremos 5 músicas-gestos-faces
diferentes e cada uma delas, ao dizer as mesmas
palavras estará comunicando 5 significados
diferentes!
Somos sempre diferentes, mas como estamos todos
proibidos de denunciar as diferenças o não-verbal então
apenas ouvimos e repetimos as palavras estas sim,
sempre iguais e ditas sempre do mesmo modo
(preconceitos, condicionamentos, frases feitas, lugares
comuns).
Estou procurando mostrar, insistentemente, que
falar não é apenas emitir sons articulados, mas é
também se pôr, colocar-se, assumir atitude, fazer
gestos, caras. O corpo todo fala.

Como é o começo?
O neonato “dança” faz vários pequenos movimentos
em várias partes do corpo ao som das palavras que lhe
chegam aos ouvidos (associação palavra-movimento do
corpo). Depois, durante dois a 4 ou 5 anos, as palavras
estão, em sua maioria, ligadas a movimentos “na
direção de,” seja movimento apenas dos olhos, seja no
das mãos ou do corpo todo. A resposta dos próximos,
grande parte das vezes, é “não!” E o gesto, o
movimento, se detém ou se transforma em atitude
crônica de contenção.
É assim que é gerada a Couraça Muscular do
Caráter de modo de todo não-verbal ou de todo
corporal.

Comentários esclarecedores

Os estudiosos do comportamento corporal durante o
diálogo com auxílio de vídeo ou filmes criaram a
expressão “micro-expressões” (prefiro “micro-dicas”).
Eles se referem a vários pequenos e rápidos
movimentos que pessoas em diálogo fazem,
sincronizados com o som ou os gestos da fala do outro.
É tanto o sincronismo quando os dois estão
interessados no tema e interessados um no outro que os
eletro encefalogramas sincronizam suas ondas.
Um dos enigmas da leitura corporal com auxílio do
vídeo são essas micro-dicas, cuja duração pode ser de
um décimo de segundo. Difícil acreditar que elas sejam
percebidas pelos interlocutores! Então porque existem?
Qual sua função?

A vida é luta renhida...

Depois que os seres vivos aprenderam a se
alimentar uns dos outros, a nenhum deles é permitido
viver distraído. É preciso estar sempre alerta pois o
encontro vital ou mortal foi se refinando a níveis
inimagináveis. Assisti a um vídeo sobre a caçada da
vida no Discovery Channel, onde os movimentos de
ataque ou fuga eram cronometrados e eram
espantosamente rápidos centésimos e até milésimos de
segundo!
Será que estes fatos não explicam as micro-dicas?
Será que nossas convicções, a de que as expressões
não-verbais nada significam, não faz parte da repressão
socialmente compulsória e de certo modo universal da
agressividade?
O melhor negócio do mundo são pesquisa,
produção, venda e contrabando de armas! No século
XX ocorreram mais de cem conflitos armados. Nos
países em desenvolvimentos é bem sabido um dos
maiores problemas é a violência. Nos EE.UU
também...Será que no cotidiano nada disso existe?
Rivalidade, competição, auto-afirmação, autodefesa,
agressão indireta (verbal!), ironia, pouco-caso,
desprezo, despeito...
Será que nada disso aparece? Ou fizemos um
“gentlemen agreement” de manter tudo isso em
silêncio, de fazer de conta de que nada disso existe, de
nunca dizer o que estamos vendo na face, nos gestos ou
nos tons de voz do outro?
Também o amor é difícil em nosso mundo e
tentamos “disfarça-lo” tanto quanto a agressividade ou
o medo.

Restrições existentes à leitura corporal
proposta

Tanto em Psicologia quanto na vida cotidiana as
afirmações feitas nesse texto são postas seriamente em
dúvida e vou analisar algumas das objeções.
Começo com as científicas. A ciência é estatística e
se de um conjunto de fatos nenhuma estatística pode ser
feita se nenhum “padrão” pode ser isolado ou descrito
aqueles fatos não podem ser considerados científicos.
Hoje há estudos dessa ordem na área das expressões
faciais e com alguns resultados mas na verdade eles não
me interessam como clínico (nem como pessoa). Como
tudo o que é estatístico, neles a individualidade
desaparece por definição!
Poucas realidades psicológicas são tão
evidentemente individualizadas quanto a comunicação
não verbal. Repito: a “mesma” frase dita por 5 pessoas
diferentes comunica 5 significados diferentes. Bem
compreendido este fato ele compromete seriamente a
própria noção de palavra. Segundo a Lingüística, a
lógica e a gramática, é essencial à definição da palavra
a constância de significado. Segundo o Dicionário, a
mesma palavra designa sempre a mesma coisa para
todos. A análise da comunicação não-verbal prova que
essas duas afirmações podem ser seriamente
contestadas.

Leitura corporal com auxílio de gravação em
vídeo

Volto ao tema (leitura corporal) para examina-lo de
outro ângulo. Em grupo como fazíamos um
companheiro era visto por vários outros, cada uma com
sua ótica, o que enriquecia demais o estudo. Porque é
inegável que ninguém vê “tudo” de ninguém e muito
menos a um só exame, ou de uma só vez.
A cada momento ou em cada situação, as pessoas
mostram com maior nitidez uma ou outra de suas
identificações, de seus desejos e de seus disfarces.
Esta variedade de expressões está ligada à
relação entre a pessoa que está sendo vista e a que
está vendo.
Reich, levado pelo autoritarismo da Psicanálise, da
Ciência e da época, omitiu a volta! Quero dizer: se é
verdade que o paciente mostra muito de si nos seus
gesto, faces e atitudes, é igualmente verdade que o
terapeuta (o observador) também mostra!
Esse o dilema: em relação ao não verbal, não há
observador e observado. Os dois são uma coisa e
outra. O que o observador observa (sigamos a
linguagem estabelecida) está inexoravelmente ligado ao
que o observado está vendo nele!
Esse é o nó da questão a negação do relacionamento
inevitável entre dois interlocutores. O terapeuta “deve”
manter uma “atitude neutra.” A imobilidade do
terapeuta (único sentido claro do termo) é percebida
pelo paciente como inacessibilidade, distância,
desinteresse!
Conseqüência: impossível estudar comunicação não
verbal sem reconhecer que o experimentador faz parte e
co-determina o resultado da experiência.
Tivemos que desmontar o átomo para chegar à
mesma conclusão (Princípio de Incerteza, de
Heisemberg)!
Portanto, reformulando e concluindo o que dissemos
até aqui: mostramos todo o nosso íntimo o tempo todo,
mas aspetos especiais se tornam mais evidentes para
certas pessoas em certas circunstâncias ou em certos
ambientes.
Exemplificando de modo esquemático: se me vejo
ante alguém que me parece ameaçador, exaltam-se em
mim (tornam-se mais aparentes) minhas atitudes de
medo, meu “encolhimento”, minha cautela
Se percebo alguém como acolhedor, desfazem-se
em mim as atitudes de prevenção, me desarmo, me
“entrego.”
Mas tanto o observador quanto o observado é
preciso acentuar mostram habitualmente um
aglomerado de atitudes-intenções simultâneas, o que
pode tornar a “leitura” difícil. Ou difícil a compreensão
das relações pessoais, em geral ou em certo momento.
Estudos de gravações simultâneas de duas pessoas
em diálogo, mostram que elas “dançam” em certa
harmonia sempre que estão se entendendo. Esse fato,
bem “objetivo”(!), pode ser a base da compreensão
espontânea que em certos momentos felizes pode
ocorrer entre duas pessoas (empatia e/ou amor). Pode
explicar, também, certas antipatias igualmente
espontâneas.

Aprendizado fácil

Em grupos de enfermeiras às quais se
demonstravam estes fatos notou-se que, após as aulas,
elas se mostravam excepcionalmente capazes de
perceber rapidamente as expressões umas das outras.
Dado o pequeno número de aulas, ficaram os
experimentadores confusos frente aos resultados.
Posso compreender perfeitamente este fato pois o
mesmo aconteceu nos meus grupos de estudos. As
pessoas sempre souberam ler a expressão não-verbal. É
um conhecimento deveras pré-verbal, instintivo,
primário. Nossa educação nos faz descrer desse
conhecimento (“é proibido criticar sua majestade”...).
Quando, em grupos de estudo, uma “autoridade” afirma
e mostra que essa leitura é natural e evidente, em todos
se reanima o que já sabiam mas que era proibido
acreditar...
Nesse caso, o “professor” (autoridade) não ensinou.
Ele autorizou os alunos a verem o que já estavam
vendo. Anulou o decreto...

O corpo fala?

Espero esteja claro, a esta altura, que o corpo fala e,
ao mesmo tempo, que nós estamos impedidos de ver o
que ele vive falando ou mostrando.
Ouvi-lo e VÊ-LO significa envolver-se e é perigoso.
Compromete todos os valores estabelecidos de distância
formal, social, profissional, preconceituosa ameaça
fazer ruir toda a pirâmide de Poder.
Claro, também, que o segredo manifesto do corpo
que fala até grita é a mais perigosa arma contra o
autoritarismo até hoje dominante. Se nunca posso
criticar sua majestade conclui-se, em boa lógica, que
sua majestade é perfeita!
Mas a perfeição não é só de sua Majestade. É
também de todo o Sistema, de nossos Sagrados valores
Tradicionais e de toda a Liturgia Social, toda ela feita
muito mais para esconder o que é feio do que para
realizar o que seria bom.
Guiados por tão excelentes autoridades e em um
mundo tão maravilhoso, para que começar a ver que
não é nada disso?
Os caminhos nem tão secretos da cooperação
humana
“Sob a aparente desordem da cidade
antiga, sempre que ela funcionava a
contento, havia uma ordem maravilhosa
mantendo a segurança nas ruas e a
liberdade da cidade. É uma ordem
complexa. Sua essência é a intimidade no
uso das calçadas, trazendo consigo a
constante sucessão de olhos (textual,
sublinhamento meu). Esta ordem é toda
ela composta de movimento e mudança e
embora seja vida, e não arte, podemos
denomina-la de arte da cidade e
compara-la à dança. Não à dança
simplória de precisão com todos
levantando a perna ao mesmo tempo,
girando em uníssono e inclinando-se em
massa, mas sim a um intrincado balé no
qual todos os indivíduos e grupos de
dançarinos têm papéis distintos que
miraculosamente determinam uns aos
outros, compondo um todo ordenado.”
(Jacobs apud Johnson, 2002, p. 51)
Na página 51 do livro “Emergence,” de Steven
Johnson, encontro o texto citado, proveniente do livro,
“The Death and Life of Great American Cities,” de Jane
Jacobs,Vintage, N.York, 1961. Traduzido por mim.
“Um estudante de graduação, sob a
orientação de Edward T. Hall, escondido
em um carro abandonado, filmou
crianças brincando no pátio de uma
escola na hora do lanche. Gritando,
rindo, correndo e pulando, cada uma
parecia estar fazendo o que queria na
mais completa desordem. Mas uma
análise cuidadosa revelou que o bando se
movia a um mesmo ritmo. Uma menina,
mais ativa do que os demais, percorria
todo o pátio de escola em suas andanças.
Hall e seu estudante perceberam que a
garotinha, sem querer, era a “diretora”
ou a “orquestradora” do grupo.
Buscando, os investigadores encontraram
uma música que se adaptava à cadência
silenciosas. Quando a tocavam e
projetavam o filme, tudo se passava como
se cada garoto estivesse dançando
exatamente como a melodia propunha.
Mas não havia música nenhuma no
pátio! Conclui Hall: Sem perceber
estavam todos se movendo a um ritmo
criado por eles mesmos ...uma corrente
inconsciente de movimentos
sincronizados unia o grupo’.” (Blom,
2000, p.76)

Porque todos combinam seus movimentos sem
querer e sem saber? Porque se todos combinarem, a
dança será uma só e nos sentiremos fortes e seguros.
Porque todos combinam seus movimentos sem
querer e sem saber? Porque estão se vendo,
respondendo uns aos outros, gerando espontaneamente
a dança da solidariedade humana.

Concluindo

Estas duas citações e os fatos lembrados que nos
permitem compreendê-las, nos levam a uma conclusão
animadora. O “Cérebro Global”, em formação continua
desde os primórdios da vida, não é apenas intelectual.
Ele é também emocional, afetivo e motor dançante e
cantante!
Mas para abrir esse caminho era preciso...abrir os
olhos começar a ver o semelhante. Foi a tarefa maior de
Reich. Tanto meu próximo quanto eu nos mostramos
sem perceber que nos mostramos.
Esse ver-mostrar é o concreto da solidariedade
humana.
Será que a Luz está se fazendo? Será que estamos
começando a nos ver a ver o que estamos mostrando
uns para os outros o tempo todo?
Será que sem saber até sem querer estamos
começando a ficar transparentes?


Referências

Blom, H. (2000). Global Brain. Nova York: Willey.
Johnson, S. (2002). Emergence. Penguin Books.
Endereço:
José Ângelo Gaiarsa
Rua Dr. Paulo Vieira, 407 Apto 21 Sumaré
01257-000 São Paulo SP
e-mail:

Manuscrito recebido em 30 de outubro de 2002.
Manuscrito aceito em 31 de março de 2003.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

FAXINA NA ALMA - CARLOS DRUMMON DE ANDRADE

"Não importa onde você parou...
em que momento da vida você cansou...
o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar"
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e o mais importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os
anjos...
Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora...
Pois é...agora é hora de reiniciar...de pensar na luz...de encontrar prazer nas
coisas simples de novo.
Que tal um novo emprego? Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado...diferente?
Um novo curso...ou aquele velho desejo de aprender a
pintar...desenhar...dominar o computador...ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te
esperando.
Ta se sentindo sozinho? Besteira...tem tanta gente que você afastou com o
seu “período de isolamento”...tem tanta gente esperando um sorriso teu para
“chegar” perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...nem nós mesmos nos
suportamos...ficamos horríveis...o mau humor vai comendo nosso
fígado...até a boca fica amarga.
Recomeçar...hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto...sonhe alto...queira o melhor do melhor...queira coisas boas para a
vida...pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos...se
pensamos pequeno...coisas pequenas teremos...já se desejarmos
fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor...o melhor vai se
instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental...joga fora tudo que te prende ao
passado...ao mundinho de coisas tristes...fotos...peças de roupa, papel de
bala...ingressos de cinema, bilhetes de viagens...e toda aquela tranqueira
que guardamos quando nos julgamos apaixonados...jogue tudo fora...mas
principalmente...esvazie seu coração...fique pronto para a vida...para um
novo amor..
Lembre-se somos apaixonáveis...somos sempre capazes de amar muitas
vezes e muitas vezes...afinal de contas...
Nós somos o “AMOR”...
Porque somos do tamanho daquilo que vemos, e não do tamanho da nossa
altura."