domingo, 20 de março de 2011

O COMPLEXO DE ÉDIPO E A "SINDROME" DO PAI AUSENTE

COMPLEXO DE ÉDIPO E A "SINDROME" DO PAI AUSENTEPor: João H. L. Ferreira

Em seus estudos sobre o inconsciente, Freud traça um paralelo entre a estória de Édipo Rei, da antiga grécia, e a formação do psiquê humano; lançando as bases do que viria a ser denominado Complexo de Édipo.
Desde a sua formulação pelo velho Freud, estudisos vem se debruçando sobre o tema, aprofundando as reflexões de mestre.




O complexo de Édipo se desenvolve ao longo da vida do indivíduo.



Caracterizado pelo escolha que o indivíduo deve fazer, perante o conflito entre as exigências impostas por forças exógenas (Família, sociedade, religião, leis, etc...), de continência ao prazer individal, e o desejo do indivíduo pelo prazer sem limites; o Édipo mal resolvido pode ser fonte de angustias, neuroses, perversões e outras formas de distúrbios psíquicos e de comportamento.



No seu processo de amadurecimento, Paradoxalmente, o indivíduo opta em limitar o seu prazer pela garantia de mantenção do próprio prazer, ou, pelo menos, de parte do prazer que lhe é permitido por essas mesmas forças exógenas (Do convívio social, da aceitação, integração no grupo a que pertence, etc....) passa a ser garantido quando o indivíduo limita-se a obter esse prazer dentro das limitantes que lhe são impostas. Essa submissão é uma das possíveis saídas do Édipo e se dá na infância; sendo chamada de latência.

Através da abstinência, ou a da continência dos prazeres (Ou de situações prazerosas), abstendo-se de obter prazer de modos e em condições que não lhe são permitidos, o indivíduo mantém a possibilidade de obter prazeres que não lhe são negados; ou até mesmo oferecidos em contrapartida aqueles que ele se abstem de obter voluntariamente.



No modelo de Édipo criado por Freud, a busca do prazer é representada pelo desejo para com a mãe; e a sua negação pelas forças exógenas é representada pela figura paterna; que, detentora do poder, afasta a criança da mãe (Sua fonte de prazer); havendo a disputa entre os dois pelo tempo dispensado pela mesma.



Dessa forma, as situações de negação de prazer por forças externas, é remetido à situações vivenciadas na infância de disputa da criança com o pai pelo tempo e atenção que lhe é dada pela mãe.



No clássico grego, a saída do Édipo se dá quando o filho (Édipo) mata o próprio pai (Lion) e toma a própria mãe (Jocasta). Esse ato tem como conseqüência o condenar de Édipo a vagar sozinho sem rumo após ele mesmo ter furado os seus próprios olhos em castigo.



Assim, o clássico de Édipo Rei, nos remete ao aviso de que, a procura do prazer sem restrições, sem considerar o outro (Nos tornando cegos para o mundo à nossa volta) nos leva enexoravelmente à solidão pela exclusão do convívio social, o qual deixamos de respeitar na nossa procura por esse mesmo prazer.



Creio que a saída saudável para o Édipo é o indivíduo, ao se tornar adulto, entender que as regras (Forças exógenas) não tem carater onipotente; ou seja: As regras são referenciais feitas pelas Homens (Seres humanos ADULTOS) para a manutenção do convívio social e podem (E devem) ser negociadas entre os membros de uma mesma sociedade. Ao tomar o seu lugar na sociedade, como ser humano adulto, a ex-criança, agora adulta, se torna também PAI (Inclusive no sentido biológico), emanador das regras negociadas com seus iguais.



Entendido tudo isso, gostaria de analisar uma situação especial de Édipo que é o PAI AUSENTE.

Não raro, dentro da nossa sociedade, a figura do PAI AUSENTE se dá ou por separação ou por morte do mesmo. O PAI AUSENTE, depedendo da família, pode se tornar MAIS PRESENTE do que se fisicamente estivesse convivendo com a família em sua normalidade.



O que apelidarei aqui de "SINDROME DO PAI AUSENTE" se dá quando, ao sentir-se impotente para a manutenção da disciplina da prole, a mãe evoca a presença de um PAI VIRTUAL, que passa a existir dentro da família. Frases como: SE O SEU PAI ESTIVESSE AQUI... ou O SEU PAI MANDOU..... ou NEM PARECE QUE É FILHO DE FULANO.... e assim por diante incutem na criança um PAI VIRTUAL sempre presente e muito mais "castrador" do que um pai físico, com o qual ele possa se confrontar na procura de seus limites e identidade.



Dessa forma, o PAI AUSENTE se torna na verdade um PAI UNIPRESENTE; existente em todo o lugar; virtuoso e sem defeitos, incansável e imbatível; que o filho, por nunca poder derrotar ou superar, se rende e se submete. Esse "super pai" acompanha o seu filho por toda a vida; que procurando "agradá-lo", para obter a sua aprovação (Que nunca conseguirá), se torna o exemplo de "bom filho"; sempre obediente às regras, as leis, aos horários; se submetendo à imposição das forças exógenas; gerando o que se pode chamar da "SINDROME DO ETERNO FILHO".



A "Sindrome do Eterno Filho", na vida adulta, é reforçada com elogios tais como "Seu pai ficaria orgulhos de você". "Você é um modelo para os seus irmãos e colegas". "Queria ter um filho assim". "Você é o filho que eu nunca tive"; e assim por diante. Além de reforços externos, o indivíduo se vê compelido a continuar como ETERNO FILHO pelas vantagens que isso lhe trás; tais como:
1) Ele não tem que assumir uma posição de adulto; fazendo escolhas (Uma escolha sempre implica em não realizar uma das possibilidades- Aquela preterida- E por isso gera um sentimento de perda).

2) O indivíduo NUNCA É CULPADO; pois se sempre faz o que lhe pedem, ele não pode ser culpado pelas conseqüências do que advém de errado na sua vida. Assim o culpado é SEMPRE O OUTRO.

3) O indivíduo não necessita pensar; somente obedecer. Alguém sempre lhe dirá o que fazer.

4) Sentimento de impotência para resolver os problemas sociais e institucionais (Afinal a sociedade e as instituição são o grande "pai" , e não se deve desafiar o pai).



Dessa feita; deve-se lembrar que, nos dias de hoje, o pai está AUSENTE não somente por condições de morte ou separação. Em muitas famílias, hoje temos pais que, mesmo vivos e casados, se encontram ausentes; não participando da vida familiar; repassando esse modelo para os seus filhos. O pai ausente é uma das poucas condições que não permitem a saída completa do Édipo; podendo desencadear esses e outros problemas da "sindrome" acima; fazendo com que a pessoa se torne o "eterno filho"; sem assumir a sua posição de adulto responsável e SUJEITO do próprio DESTINO. É o sentenciar do sujeito á eterna posição de vítima; de objeto e força de manobra das instituições, que em nossa sociedade se encontra tomada por forças inenarrávéis.

Assim, por ser potencialmente benéfico aos sistemas (Que são PAIS SEMPRE PRESENTES), a "sindrome do pai ausente" pode estar sendo introjetada dentro da nossa sociedade por grupos que tem muito a ganhar com isso (Creio que mesmo que inconscientemente, todos nós procuramos aquilo que nos traz prazer e felicidade). Fica aqui um ponto de alerta e reflexão para os psicólogos e pais: Estamos formando uma sociedade de "ETERNOS FILHOS".....


http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/o-complexo-de-edipo-e-a-sindrome-do-pai-ausente-614413.html

sábado, 29 de janeiro de 2011

Casal, Par, Companheiros, Amantes, Namorados...

"Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.

Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.

Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?

E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa." (Eclesiastes 4)

Estar junto à outro,
É dividir o peso ao caminharem;
E é em dobro as alegrias,
pois que dois é mais que um! (Madeleine, jan. 2011)

Um excelente texto que reforça essa minha posição:
Postado por Mariana Sanchez Gomes Ferreira, em seu Blog
http://marianaferreirapsico.blogspot.com/2010/08/o-pior-nao-e-amar-sem-ser-amado-mas-ser.html



O pior não é amar sem ser amado, mas ser amado sem saber amar

Relacionamentos amorosos. Tema favorito em terapias, novelas, filmes, livros. Assunto presente em roda de amigos, no intervalo da faculdade, do trabalho, no meio da academia. A gente sabe que é assim e que, lá no fundo, o que a maioria das pessoas quer mesmo é encontrar alguém com quem se possa “viver bem” e ser feliz. A psicanalista Karen Horney já dizia, em 1913, que uma outra necessidade básica inicia quando nos percebemos como indivíduos separados de nossos pais: a carência de amor, de afeto. Segundo Karen, fica-se a vida inteira buscando resolver essa carência, que, por sua vez, só é resolvida quando se é capaz de “dar amor”. Ainda para a psicanalista, o amor que não temos é proporcional ao amor que não damos. No entanto, o que é ser capaz de “dar amor”?

No começo, tudo é muito lindo. O ser humano tem mesmo essa tendência a se entusiasmar com uma novidade, um campo desconhecido, um misto de medo com expectativa, de coragem com total insegurança. Só que a gente sabe que esse “friozinho na barriga” do começo de qualquer relacionamento acaba para todo mundo, e, na minha opinião, é com o que sobra que a gente deve realmente se deslumbrar. É com o dia-a-dia, com um convite descompromissado pra ir ao cinema, com uma ligação de boa noite no meio de uma semana super corrida. Se a gente prestar bastante atenção, vai perceber que é aí que o amor aparece: no nosso cotidiano. Ele vai aparecer em cada momento que o companheirismo se mostrar presente. Ele vai aparecer num sábado a noite qualquer, numa terça-feira pela manhã, numa quinta-feira no meio da tarde, quando a pessoa amada for lembrada por algum motivo banal. O nosso problema é justamente querer sempre mais, quando já se tem tudo.

Se permitir, acho que essa é uma chave importante. Se permitir deixar o orgulho de lado, se permitir perdoar, se permitir se divertir com as pequenas coisas. Se permitir errar, se permitir pedir desculpas. Se permitir ousar de vez em quando, fazer uma surpresa, agradar só por agradar, sem esperar nada em troca. Isso é “dar amor”. Viver um grande amor é completamente possível, no entanto, a dificuldade é não boicotarmos a nós mesmos, deixando que essas pequenas coisas passem em branco, ou, pior, é não perceber que elas aconteceram. É simplesmente não regar o jardim. Termino a postagem com a letra de uma conhecida música dos Paralamas do Sucesso, para refletir: “saber amar, saber deixar alguém te amar”.