quinta-feira, 20 de novembro de 2008

OS MITOS SOCIAIS
Fidelidade/infidelidade: As noções que temos de um casamento são mitos. Um mito é uma história ou uma idéia que é gradualmente introduzida na consciência de um povo. É um conto que inventamos, uma convicção que mantemos sobre como as coisas são - ou como deveriam ser. Por exemplo, a história de Hansel e Gretel é um mito sobre o triunfo do Bem sobre o Mal; a história de David e Golias, uma iluminação sobre a pureza sobrepondo-se ao poder. Temos mitos - histórias que contamos a nós próprios-sobre a sociedade, os nossos pais e o futuro. Utilizamo-las para nos restringir, para explicar a realidade, as nossas práticas, convicções e instituições sociais. Também temos sobre as relações íntimas - todos baseados no modelo de casamento. Dizem-nos que as nossas relações devem ser: 1. Diárias - sete dias por semana; 2. Domésticas - vividas sob o mesmo teto comum numa casa com pátio e uma cerca branca; 3. Exclusivas - a pessoa que amamos será uma só; 4. Para sempre - durando até ao fim dos séculos. Como esses mitos têm uma longa história na consciência humana, não possuímos especial percepção deles. Estão lá, como se fossem inerentes numa cultura. Temo-los essenciais, já que estamos sempre tentando criar as relações perfeitas, que estejam de acordo com essas nossas crenças. Ao tentar criar continuadamente essas relações, reforçamos tais mitos mais ainda na cultura e nos nossos corações e mentes. Como conseqüência, continuam a ser para nós uma verdade absoluta, uma parte fundamental da paisagem dos nossos conceitos de amor. Tal como o crepúsculo raiado de tons de rosa e o verde das árvores, está simplesmente conosco como sempre estiveram. Apesar de parecerem tênues e por isso inconseqüentes, são tão poderosos que, para todos nós, até certo ponto comandam a relação. É o que procuramos personificar quando nos apaixonamos; é aquilo pelo que nós julgamos quando criamos - ou falhamos - a nossa relação. Independentemente do tipo de relação que vivamos, quer seja um casamento de sociedade, um romance de verão, uma aventura de décadas de vida em conjunto, um casamento homossexual, ou uma vida de consecutivas relações idênticas ao casamento, arrastamos sempre atrás de nós as expectativas incorporadas nesses mitos. Por isso, se não tivermos uma relação cotidiana, vivida numa casa comum, que não seja a personificação da perfeição com uma única pessoa e não dure para sempre, resta-nos sentir que fracassamos.
E o fracasso, acaba configurado em nós. Com o tempo, começamos a nos sentir como incapacitados afetivamente, realmente fracassados.
Os mitos das relações íntimas e do casamento, não envolvem apenas a relação em si. Definem que temos que viver o casamento, o relacionamento a todo custo. Se não, corremos o risco de sermos vistos como incapacitados para “o amor” (mal-amados (as); solteirões (onas)). Cada ano, cada mês, cada hora, marcam o tempo que falta para que nós criemos nossos relacionamentos IDEALIZADOS, moldados nos MITOS.
Cada um de nós, se não podemos extirpar todos esses mitos, que porventura, nos tornam seres angustiados, pressionados, fracassados, decepcionados, que cada um de nós possa acreditar que todos passamos pelo mesmo caminho, que todos sentimos as mesmas dificuldades, mas nem todos admitimos e igualmente nem todos nos interessamos em lidar com o fato.
Pense nisso.

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